Nome: Maria Raquel Rodrigues de Miranda
Idade: 48 anos
Estado civil: casada
Profissão: professora de filosofia, em licença médica e prestes a se aposentar (consequência da MG)
Qual seu estilo? Básico
Filme: Orfeu, aquele com o Toni Garrido. Por 2 motivos: a música tema que virou “a nossa música” (minha e de meu marido, estávamos namorando na época) e porque usei o filme na escola pública de ensino médio que eu trabalhava numa área muito carente do Rio de Janeiro.Me emocionou muito sentir o impacto gerado naqueles adolescentes ao verem um pouco da sua realidade retratada na tela; ver um galã negro, como protagonista e fazendo “o papel do mocinho” (o Murilo Benício fazia o papel do traficante, dono do morro) e por outro lado, o quanto foi desafiador projetar aquele filme naquela escola que ficava numa região dominada pelo tráfico ; enfim, me recorda como era desafiador provocar um ambiente filosófico de reflexão naquelas circunstâncias.
Hobbys: gostava de caminhar, cantar e dançar e agora, acho que meu hobby é a pesquisa (antes da MG, a pesquisa era trabalho).
Um amor: a vida
Sonhos: menos desigualdades entre as pessoas, um mundo mais solidário
Medos: antes da MG eu tinha medo de altura, agora eu acho que o meu pior medo é estar numa situação de emergência, sem condição de me comunicar e nas mãos de pessoas que não conhecem a MG.
Três coisas que não vive sem: a fé em Deus; o amor nas suas duas dimensões: do amar e do ser amado ; e café, porque ninguém é de ferro. kkk
Arrepende-se de algo? Das vezes em que falei por impulso, sem pensar e magoei alguém
Quanto tempo você tem o diagnóstico de miastenia gravis? Um ano e dois meses, mas sinto os sintomas há muito tempo. Eu sempre me exigi muito. Então, quando o cansaço e falta de ar chegavam, quando as pernas falhavam, quando a voz sumia, eu ainda insistia, sempre querendo ultrapassar os meus limites; até que tudo falhou ao mesmo tempo e fui internada.
Pra você o que a miastenia te ensinou? Uma lições muito difíceis e portanto, ainda estou em fase de aprendizado: ser mais paciente comigo mesma, com os outros, com a vida; “ouvir” os sinais do meu corpo e a respeitá-los; ter uma experiência com o tempo que é muito mais rica que qualquer discussão filosófica sobre o tema.
Sofre ou já sofreu algum tipo de preconceito com a Miastenia? Sim. Infelizmente, dentro da minha própria família. A flutuação dos sintomas ainda é muito mal compreendida. Julgam-nos como se a gente pudesse ter controle sobre isso. Quando estamos bem, deveríamos sair por aí fazendo tudo como era antes ou nos querem trancados em casa (porque senão poderemos ter uma piora); e, quando temos uma recaída, parece que não nos esforçamos o bastante para nos manter bem, ou fizemos algo que não deveríamos, ou queremos chamar atenção, ou pior ainda, que gostamos de estarmos doentes.
Que sintoma mais te incomoda? A dificuldade respiratória porque afeta tudo: a fala, os movimentos, tudo fica difícil, tudo se torna um grande esforço.
Se aceita do jeito que você é agora? Agora, acho que a ficha caiu.
Teve alguma experiência de vida que serviu como lição pra você? Ter ficado completamente dependente de tudo, de todos enquanto não tinha o diagnóstico e, portanto, não sabia que doença era aquela, se iria ficar assim pra sempre, se iria morrer. Foi angustiante, avassalador. A gente fica muito frágil não só fisicamente, como emocionalmente. E para sobreviver é forçada a revisar toda a sua vida.
Um lugar que gostaria muito de conhecer: É difícil escolher. Encanta-me ver com “olhos de turista” qualquer lugar. Porque o turista presta atenção em detalhes e se emociona com coisas que as vezes o morador local nunca reparou. Gosto muito de conhecer lugares novos, pessoas. Então, não tenho nenhum lugar em especial, mas qualquer um com uma boa companhia.
Uma frase: Um coração agradecido é uma porta aberta para novas bênçãos.
Fale um pouco de você: eu sou uma pessoa otimista, alegre e cheia de vida. Gosto da vida. Gosto das pessoas. E acho que a vida só tem sentido quando a gente a encara como uma missão.
Deixe seu recado para os nossos leitores: A gente pode sempre se reinventar, procurar um novo jeito de ser feliz. Deus confiou em nós, nos deu a vida, acredita no nosso potencial e tá sempre por perto, como o Pai amoroso que é. Nunca estamos sós. Em qualquer circunstância, sempre podemos fazer algo por alguém. Nossa querida Aline é um exemplo disso. Te admiro muito. E agradeço a oportunidade de participar do seu blog. Esse blog é mais uma contribuição para a divulgação da MG, aproxima as pessoas que compartilham dessa doença e traz uma força a mais para continuarmos a caminhada, seja para as pessoas que têm MG ou não. Um abração pra todos os leitores da Aline.
A Raquel sempre promove os encontros de Miastenicos aqui no Rio. Eu ainda não tive a oportunidade de ir, mais vou me esforçar pra ir na próxima vez. Adorei tudo o que ela disse sobre a MG, se expressou muito bem e soube explicar como sentimos quando entramos em alguma crise. Tá ai mais uma guerreira entre nós Miastenicos. Beijoos !